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O que é burnout

O que é Burnout e como esse problema pode afetar a sua empresa

Promoção da saúde nas empresas

Entender o que é Burnout é um passo muito importante na discussão sobre os transtornos mentais e, principalmente, na compreensão dos efeitos do trabalho na saúde das pessoas. 

Desde 2020, com o início da pandemia, as questões relacionadas à saúde mental passaram a ter maior destaque. Os problemas de saúde mental sempre existiram, mas foi a partir dela que o surgimento de casos foi acelerado e, com esses transtornos, a necessidade de identificar caminhos possíveis para o seu enfrentamento.

Neste contexto, a Síndrome de Burnout passou a ganhar maior relevância, sendo caracterizada desde janeiro de 2022 como uma doença ocupacional na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), trazendo um alerta importante para a saúde mental no ambiente de trabalho.

Com este alerta, é fundamental ampliarmos o conhecimento sobre o Burnout para que possamos identificar os caminhos para a prevenção.

Neste texto, vamos abordar alguns tópicos importantes sobre o assunto e responder às seguintes questões:

  •  O que é Burnout?
  • Como identificar o Burnout?
  • O que pode causar o Burnout?
  • O que as empresas podem fazer para que profissionais não desenvolvam o Burnout?
  • E muito mais!

Para começar, o que é Burnout?

O Burnout foi descrito pela primeira vez, na década de 70, pelo psicólogo Herbert Freudenberger que começou a perceber e a estudar o fenômeno em pacientes e profissionais da área da saúde. Os estudos foram realizados a partir da observação do esgotamento causado exclusivamente pelo trabalho. 

O termo, com origem na língua inglesa, poderia ser definido como “queimar-se por completo” ao pé da letra. Hoje, contudo, a expressão pode ser traduzida como “esgotamento”.

Segundo a OMS, o “Burnout é uma síndrome conceituada como resultante do estresse crônico associado ao local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”. Se olharmos o conceito destacando três aspectos principais, ampliamos o entendimento do Burnout e já conseguimos pistas de como é possível enfrentá-lo.

1 – O Burnout é uma síndrome

Ou seja, um conjunto de sintomas tanto físicos como comportamentais.

2 –  O Burnout é o estresse crônico associado ao local de trabalho

Ou seja, ele precisa ser compreendido como um fenômeno ocupacional. 

3 – O Burnout é uma condição de estresse por um longo período que não foi gerenciado com sucesso.

Ao abordar o termo “gerenciamento”, somos apresentados a uma pista importante: a possibilidade de identificar os fatores estressores no ambiente de trabalho e buscar minimizá-los atuando de forma preventiva.

Como identificar a Síndrome de Burnout?

O diagnóstico da síndrome de Burnout só poderá ser realizado por um profissional especialista em saúde mental. Contudo, ter uma descrição de sinais e sintomas pode nos ajudar a perceber os indícios no dia a dia.

Atualmente, a maior referência sobre o assunto são os estudos da professora de psicologia da Universidade da Califórnia Cristina Maslach. Foram eles que embasaram a revisão da CID-11 e a caracterização do Burnout como doença ocupacional.

Segundo Maslach, a Síndrome de Burnout pode ser caracterizada por três dimensões de sintomas:

1. Exaustão física e emocional

Fadiga crônica, insônia, cognição prejudicada, sintomas físicos (dor no peito, respiração acelerada, dor de cabeça e infecções), ansiedade, depressão e raiva.

2. Comportamental/Despersonalização

Agressividade, irritabilidade, impaciência, perda de ânimo, pessimismo, isolamento e resistência ao socializar, distanciamento e esquiva, sentimento de “desconexão das pessoas e ambiente”.

3. Ineficácia e falta de realização

Apatia, impotência, falta de esperança, produtividade reduzida e diminuição da performance, sentimento de que nada dá certo, dificuldade para realizar as coisas.

É importante destacar que, para que o Burnout seja caracterizado, as  três dimensões dos sintomas precisam estar presentes, considerando a frequência e a persistência dos sintomas ao longo do tempo.

Por exemplo, é natural nos sentirmos cansados após um período mais intenso de trabalho, ou quando temos um grande projeto para entregar. Finalizado o projeto, descansamos e recuperamos nossa energia para seguirmos com nossas atividades. 

Por outro lado, o cansaço do Burnout é diferente e mais intenso. Mesmo descansando por um final de semana, ou saindo de férias por um mês, ele não vai embora. Nesse caso, a sensação de esgotamento é tão intensa que não é possível continuar realizando as atividades que sempre fazia.

E quais as possíveis causas da Síndrome de Burnout?

Além de descrever as três dimensões dos sintomas da Síndrome de Burnout, Cristina Maslach foi mais a fundo e apontou seis fatores de risco e atenção no ambiente de trabalho:

  1. Excesso de trabalho: jornadas excessivas de trabalho;
  2. Falta de conexão: qualidade ruim nos relacionamentos. Aqui entram questões como assédio, bullyng e a exclusão (colaborador se sente excluído de projetos, atividades);
  3. Falta de recompensa: sensação de que o seu trabalho não vale nada para a empresa. Aqui não se fala apenas em recompensa financeira, mas também do quanto o trabalho é reconhecido e valorizado;
  4. Senso de injustiça: tem relação com a falta de reconhecimento. Há a sensação de que além de não ser reconhecido, o colaborador sente que as recompensas são dadas às pessoas erradas, por favorecimento dos gestores, por exemplo.
  5. Autonomia e controle no trabalho: sensação de que o colaborador não pode exercer nenhum controle ou autonomia na atividade que realiza e sem a chance de questionar, apresentar sugestões, conversar sobre outras formas de exercer a sua função
  6. Incompatibilidade de valores: sentimento de desconexão com o jeito de ser da empresa, como se a pessoa sentisse que o trabalho não combina com ela;

E como as empresas podem atuar preventivamente?

Apesar de não existir uma receita exata para evitar o Burnout, é possível percorrer caminhos que têm se mostrado muito promissores na prevenção dessa Síndrome. Ou seja, prevenir é a solução!

Para isso, é preciso entender que a prevenção passa sobretudo pela construção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, do ponto de vista físico e psicológico.

Sabemos de longa data a importância do uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) para minimizar os riscos à saúde física. Mas quais são os “EPIs” para a saúde mental? Como podemos minimizar os fatores de risco e potencializar os fatores protetivos dentro da organização?

Empresas que promovem ambientes de trabalho seguros e saudáveis investem em:

1. Capacitação das lideranças: a liderança é um dos agentes mais importantes na promoção da saúde mental, mas exige uma boa capacitação e instrumentalização. Dessa forma, qualifica-se cada vez mais os relacionamentos e se cria um poderoso canal de escuta e acolhimento do seu time.

2. Gestão da saúde e qualidade de vida: incentivo para o cuidado com a saúde física, alimentação, qualidade do sono, pausas e descanso. Cuidado com a saúde preventiva!

3. Gestão e organização do trabalho: é preciso saber gerenciar a sobrecarga, condições e recursos, jornadas de trabalho adequadas, metas possíveis, entre outros.

Cuidar das pessoas e da construção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis é cuidar da sustentabilidade do negócio! 

Como líderes e como profissionais de RH, queremos em nossas equipes os profissionais mais criativos, mais inovadores, mais engajados e com entregas diferenciadas, não é mesmo?  Mas só teremos profissionais com essas características se as pessoas estiverem saudáveis, física e emocionalmente.

É importante ressaltar que mesmo que estejamos vivendo um cenário mais favorável em relação à pandemia, isso não significa que os casos de saúde mental irão diminuir no mesmo ritmo. Os estudos já apontavam e a realidade vem mostrando a tendência de que continuem crescendo por muitos anos.

O Burnout e a saúde mental não podem ser deixados para depois! Se interessou pelo assunto? Em nosso site explicamos mais sobre ações que podem ser tomadas!

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