*Este conteúdo contou com revisão técnica de Carine Dall Agnol Gianezini Pinto, fisioterapeuta do SESI Saúde.
Em 2025, os distúrbios osteomusculares (CID-M) foram responsáveis por 1.040.104 afastamentos do trabalho por incapacidade temporária no Brasil (sim, mais de um milhão!). Isso significa que esse tipo de problema foi responsável por 25% do total de 4.126.110 licenças concedidas naquele ano.
Pode começar com uma dor no ombro que aparece no fim do dia. Um desconforto na lombar que vai se tornando frequente. Um formigamento nas mãos que já não some depois do descanso.
Esses sinais, que muitas vezes são tratados como algo “normal da rotina”, podem indicar que algum tipo de distúrbio osteomuscular está se desenvolvendo
Mais do que um problema individual, eles se tornam um desafio coletivo quando não são prevenidos e tratados de forma adequada.
É nesse contexto que a fisioterapia do trabalho ganha relevância estratégica dentro das organizações.
O que são distúrbios osteomusculares?
Os distúrbios osteomusculares são lesões e distúrbios que afetam músculos, tendões, articulações, ligamentos, ossos, nervos e até mesmo o sistema vascular adjacente.
Esses distúrbios podem ser relacionados ao trabalho ou, na maioria dos casos, não relacionados. Na maioria das vezes, se desenvolvem aos poucos, a partir de fatores como:
- Movimentos repetitivos
- Postura inadequada
- Esforço físico excessivo ou mal distribuído
- Falta de pausas e recuperação muscular
- Ambientes sem ajustes ergonômicos
Com o tempo, o desconforto inicial pode evoluir para dores musculares persistentes, limitação de movimentos e afastamentos prolongados.
LER e DORT: as lesões mais comuns relacionadas ao trabalho
Entre as lesões musculoesqueléticas mais frequentes no ambiente corporativo, duas siglas costumam aparecer com destaque: LER e DORT.
As LER – Lesões por Esforços Repetitivos estão diretamente ligadas à repetição constante de movimentos, comuns em atividades operacionais, administrativas e industriais.
Já os DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho englobam um conjunto mais amplo de fatores, incluindo postura, carga de trabalho e organização das atividades.
Entre os quadros com origem na atividade laboral que mais geram afastamentos, segundo o Ministério da Previdência Social, estão:
- Dorsalgia (dor na coluna)
- Outros transtornos de discos intervertebrais (como hérnia de disco lombar e desgaste de disco)
- Lesões no ombro
- Transtornos internos dos joelhos
- Sinovite e tenossinovite (inflamações da membrana [junta] e da bainha que envolve os tendões)
Essas condições não causam apenas dor física, mas afetam a concentração, o rendimento e a segurança do trabalhador.
O trabalho não é a principal causa dos afastamentos por distúrbios osteomusculares
Dos 1.040.104 afastamentos temporários do trabalho por distúrbios osteomusculares em 2025, apenas 38.137 foram classificados como de natureza acidentária (B91), ou seja, relacionados ao trabalho. Isso significa que 96,3% dos afastamentos não têm relação com a atividade laboral, mas podem ter muito a ver com o aumento da expectativa de vida.

Acontece que, quanto mais vivemos, mais suscetíveis ficamos a condições de saúde musculoesqueléticas devido ao envelhecimento natural dos ossos, músculos e articulações. Vivemos mais, mas também corremos o risco de viver mais tempo com doenças crônicas como as lombalgias, dores nas costas, hérnias de disco, bicos de papagaio (osteófitos), etc…
Independentemente da origem, esses problemas têm um impacto expressivo no ambiente de trabalho.
CID-M: o impacto dos afastamentos por distúrbios osteomusculares nas empresas
Apesar do trabalho não ser a maior causa do desenvolvimento de doenças osteomusculares, ele acaba sendo afetado. E o impacto vai além do colaborador afastado.
Para a empresa, os reflexos incluem:
- Aumento do absenteísmo (com faltas por períodos mais curtos que os afastamentos temporários)
- Queda de produtividade das equipes, afinal, um trabalhador com dor não consegue ter manter o bom desempenho
- Mais chances de erros causados pela distração devido à dor
- Sobrecarga de outros trabalhadores
- Custos com afastamentos e substituições
- Riscos de passivos trabalhistas

Visualizar esses dados ajuda a entender por que a prevenção é sempre mais eficiente – e menos custosa – do que lidar apenas com as consequências.
Fisioterapia do trabalho: cuidado que começa antes da dor
Ao contrário do que muitos pensam, a fisioterapia do trabalho não atua apenas quando a lesão já está instalada.
Programas de fisioterapia para trabalhadores da indústria são projetados para ajudar indivíduos com condições crônicas existentes a aderirem aos padrões de cuidados recomendados e fazerem mudanças no estilo de vida para permitir que mantenham ou melhorem sua saúde. Seu principal diferencial está na prevenção e no acompanhamento contínuo da saúde musculoesquelética dos trabalhadores.
Esse cuidado reduz a evolução de quadros leves para problemas mais graves e melhora a qualidade de vida no ambiente de trabalho.
Benefícios para o trabalhador e para a empresa
Os ganhos da fisioterapia do trabalho são percebidos em diferentes níveis.
Para o trabalhador, ela significa menos dor, mais conforto e maior consciência corporal.
Para a empresa, representa redução de afastamentos, melhoria do desempenho e fortalecimento da cultura de cuidado.
Entre os principais benefícios estão:
Para os trabalhadores
- Redução das dores musculares
- Prevenção de LER e DORT
- Mais bem-estar no dia a dia
- Melhora da qualidade de vida
- Menos custos com saúde
Para as empresas:
- Menor incidência de afastamentos por CID-M
- Redução do absenteísmo
- Aumento da produtividade
- Menor risco jurídico
- Valorização das pessoas
A fisioterapia do trabalho permite agir antes que a dor se torne afastamento – e antes que o afastamento se torne prejuízo.
Fisioterapia SESI Saúde: prevenção que gera resultados
Para apoiar as empresas nesse cuidado contínuo, o SESI Saúde oferece o serviço de Fisioterapia, com atuação preventiva e estratégica in company (dentro do ambiente corporativo) ou nas nossas clínicas.
As ações são pensadas de acordo com a realidade de cada empresa, integrando:
- Avaliação funcional
- Exercícios para prevenção e reabilitação de doença
- Fortalecimento muscular global
- Exercícios posturais
- Educação em saúde, postura e autocuidado
- Exercícios de relaxamento que trabalham atenção plena, corpo e mente
- Acompanhamento dos trabalhadores.
O objetivo é reduzir dores musculares, independentemente da sua causa, prevenir LER e DORT, minimizar afastamentos por CID-M e contribuir para ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis.
Em sintonia com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, empresas de alto desempenho têm priorizado ambientes de trabalho mais saudáveis, com foco na prevenção de doenças, na promoção da saúde e no bem-estar contínuo dos colaboradores, e não apenas na atuação quando o problema já existe.
Não se trata de identificar riscos, investir em saúde corporativa é adotar uma estratégia inteligente: cuidar das pessoas, fortalecer a produtividade, reduzir afastamentos e gerar valor sustentável para a organização.
Cuidar da saúde musculoesquelética com o SESI Saúde é investir em pessoas, em desempenho e no futuro do negócio.
Converse com nossos especialistas e entenda como funciona este serviço.