
NR 1: o novo papel da liderança na saúde mental no trabalho
Você já deve ter ouvido falar sobre como os parques da Disney são modelos de excelência em atendimento e experiência do cliente, certo?
Mas você sabe qual é um dos grandes segredos por trás dessa magia, que eles brincam chamando de “pó mágico da Sininho”? É o comprometimento da liderança.
Lá, cada líder atua como um guardião do engajamento, da segurança e, claro, do bem-estar de cada colaborador. É essa dedicação que transforma a cultura de dentro para fora, garantindo que a equipe esteja sempre preparada para receber os visitantes da melhor maneira.
Esse paralelo com a Disney é uma maneira de reforçarmos que, com as atualizações da NR 1, que entrarão em vigência em maio de 2026, o cuidado com a saúde mental dos trabalhadores e os fatores de riscos que podem impactar neste aspecto devem ter o olhar atento das lideranças.
Com a atualização da NR 1, questões de comunicação e de relacionamento entre equipes podem ser avaliadas como fator de risco psicossocial. Logo, a liderança direta entra como peça-chave no gerenciamento desses riscos.
Você, como líder, se torna também um dos responsáveis pela criação de um ambiente mais saudável, humano e seguro.
Neste conteúdo, você vai entender:
- O que a NR 1 mudou para os líderes
- Como as relações interpessoais afetam a saúde mental no trabalho
- A importância da CIPA no combate ao assédio moral
- Como sua empresa pode agir, na prática, para um ambiente mais seguro e saudável
O que mudou com a NR 1: liderança e saúde mental no trabalho
A NR 1 é a norma que trata das disposições gerais de saúde e segurança no trabalho. Com a nova redação da Portaria MTE nº 1.419/2024, a norma reforça que a responsabilidade pela prevenção de riscos não se concentra apenas no SESMT (Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho).
O gerenciamento dos riscos ocupacionais é uma responsabilidade da organização como um todo, o que implica o papel ativo de todos os níveis, incluindo as lideranças diretas, no dia a dia.
Isso significa que os líderes devem atuar na identificação, controle e mitigação desses riscos, promovendo ambientes de trabalho saudáveis, gestão de conflitos e combate ao assédio. Os riscos incluem:
- Sobrecarga de trabalho
- Falta de apoio emocional
- Comunicação agressiva
- Ambiente tóxico ou discriminatório
Todos esses fatores agora precisam ser mapeados e gerenciados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). E isso, claro, envolve a atuação direta das lideranças no dia a dia.
Relações interpessoais e saúde mental: um fator silencioso de risco
Não é só o esforço físico ou a exposição a ruídos que causam adoecimento no trabalho. Relações humanas mal-conduzidas também podem provocar sofrimento e, muitas vezes, de forma silenciosa.
Imagine um ambiente onde a equipe não tem liberdade para fazer pausas, ir ao banheiro ou conversar. Ou um espaço tão barulhento que ninguém consegue se comunicar sem gritar.
Situações assim podem ser comuns em setores como a indústria alimentícia, onde alguns procedimentos restringem às idas ao banheiro; e onde o uso de protetor auditivo dificulta o diálogo, como nas indústrias de metalurgia ou logística.
Essas condições afetam o bem-estar, aumentam o estresse e interrompem o vínculo social, que é essencial para a saúde mental.
E tudo isso precisa ser levado em conta pelo líder, afinal, ele é quem está mais próximo das equipes no dia a dia.
O líder como agente ativo na prevenção de riscos psicossociais
Portanto, a área de segurança não é a única responsável pela saúde no ambiente de trabalho. Quem lidera times também precisa reconhecer os sinais de alerta, como:
- Mudanças de comportamento na equipe
- Baixa motivação ou aumento de afastamentos
- Conflitos frequentes entre colegas
Ao fazer isso, o líder contribui para:
✔ Melhorar o clima organizacional
✔ Fortalecer a confiança entre os membros da equipe
✔ Reduzir riscos legais, como ações trabalhistas por assédio ou negligência
A atualização da NR 1 levanta outro ponto importante: omitir-se pode ser tão arriscado quanto realizar ações equivocadas. Ignorar situações de assédio ou sobrecarga pode gerar penalidades para a empresa e consequências diretas para quem lidera.
CIPA e saúde mental: como a comissão pode apoiar de forma estratégica
A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) também ganhou protagonismo. A última atualização da NR 5, que passou a incluir o combate ao assédio nas atribuições da comissão, podem refletir positivamente no apoio aos líderes na prevenção de riscos psicossociais e em temas como:
- Assédio moral e intimidação
- Falta de diálogo entre liderança e equipe
- Clima organizacional hostil
Com treinamentos adequados, a CIPA pode se tornar um canal de escuta e mediação de conflitos, ajudando a resolver problemas antes que se tornem crises.
E mais: ações da CIPA têm força legal e ajudam a empresa a comprovar que está agindo para proteger a saúde de seus trabalhadores.
Saiba mais sobre a CIPA neste artigo.
5 ações práticas para se antecipar às mudanças da NR 1 e na saúde mental da sua empresa
Quer saber como se antecipar às mudanças da NR 1 e criar um ambiente de trabalho psicologicamente mais saudável? Aqui estão cinco passos que sua empresa pode começar agora:
✅ Capacitar as lideranças sobre saúde mental, escuta ativa e comunicação não violenta
✅ Atualizar o PGR com a inclusão de riscos psicossociais
✅ Incentivar a escuta entre equipes e promova espaços seguros para feedback
✅ Reforçar o papel da CIPA como agente ativo no combate ao assédio
✅ Implementar canais de apoio psicológico ou parcerias com serviços especializados
A atualização da NR 1 vem para reforçar que a atuação do líder não é apenas voltada para a entrega de resultados. É também garantir um ambiente seguro, saudável e acolhedor para quem faz a empresa acontecer.
Por isso, reconhecer os impactos das relações interpessoais e trabalhar em ações sobre o clima do time não é um diferencial: é um dever.
Você, como líder, está pronto para esse novo papel?
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