O Setembro Amarelo é uma campanha de valorização à vida e combate ao suicídio promovida no Brasil desde 2014, em alusão ao Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, celebrado no dia 10 de setembro.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2025, 16.470 suicídios foram registrados no Brasil, uma média de 45 casos por dia. Contudo, dados apresentados na Câmara dos Deputados em 2021 mostram um panorama ainda mais alarmante.
Para cada suicídio registrado, são estimadas outras 20 tentativas não concretizadas.
Quando uma pessoa decide tirar a própria vida, é porque não aguenta mais viver em sofrimento e já não consegue encontrar outra forma de sair da situação que está levando.
Mas é preciso entender que para chegar a esse ponto, na maior parte das vezes, a pessoa tem a percepção da realidade alterada, o que interfere na sua busca por alternativas.
Em 96,8% dos casos, o suicídio é consequência de um transtorno psiquiátrico não diagnosticado, não tratado ou tratado de forma inadequada. Dessa maneira, quando um trabalhador passa por um momento de dificuldade, o ambiente de trabalho também pode ser um local de ajuda e acolhimento.
Neste texto, vamos falar sobre como estar atento para situações de alerta e ideias para o Setembro Amarelo da sua empresa. Acompanhe!
Saúde mental e trabalho
Em 2025, foram registrados mais de 546 mil afastamentos do trabalho por saúde mental no Brasil. Com esse número, o país bateu, pela segunda vez em dez anos, o recorde de afastamentos por essa causa. Santa Catarina ocupa o 5º lugar no ranking entre os estados.
Grande parte desses afastamentos não são classificados com origem ocupacional, até porque a origem dos problemas de saúde mental é muito mais complexa. Na maioria das vezes, eles são resultado de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Mas o trabalho pode ter um papel importante na prevenção. Daniela Zanatta, Líder de Negócios de Saúde Mental do SESI Saúde, explica:
“Na nossa experiência no acolhimento de trabalhadores, observamos que as causas possuem pouca relação com o trabalho, mas que o trabalho funciona como a principal rede de apoio e busca de ajuda e como, talvez, o principal fator protetivo para as pessoas.”
Além da renda, o trabalho proporciona outros fatores que contribuem para a saúde mental: rotina, interação social e senso de pertencimento. Colegas de trabalho, devido à convivência, também podem perceber que alguém não está bem e oferecer o acolhimento necessário.
Por isso, é importante capacitar as lideranças sobre como agir nessas situações.
O papel das lideranças na promoção da saúde mental dos trabalhadores
As lideranças têm um papel importante no clima organizacional e na segurança psicológica das equipes, seja na criação de um ambiente acolhedor e seguro ou na identificação de sinais de sofrimento emocional.
Para isso, os líderes devem saber como cuidar de si, do outro e do ambiente.
Algumas atitudes que as lideranças podem adotar, são:
- Escuta ativa e acolhimento: Observar mudanças persistentes (confira a lista de sinais de alerta abaixo) e abrir espaço para conversas sem julgamento.
- Exemplo positivo: praticar o autocuidado e respeitar seus próprios limites. Não tente ser um líder “infalível”. Isso faz bem para você e também para o time, que passa a entender que a vulnerabilidade é autorizada.
- Feedback construtivo: Comunique metas com clareza e reconheça conquistas. Isso contribui para ampliar o senso de pertencimento do trabalhador e para reduzir a ansiedade e o estresse.
- Entender até onde vai sua responsabilidade: O papel do gestor é apoiar e humanizar as relações, e não substituir um profissional de saúde mental.
No episódio Saúde mental e o papel das lideranças nas empresas, do podcast Conexão Saúde & Indústria, contamos com a presença de Michaela Weiss Gschwendtner, gerente de RH do Grupo Oxford, que compartilhou as experiências e resultados da empresa com iniciativas de saúde mental.
Se preferir, escute no Spotify.
Sinais de alerta de problemas de saúde mental em trabalhadores
Muitos trabalhadores podem não se sentir confortáveis em conversar com outros colegas ou líderes sobre as dificuldades que estão enfrentando. Por isso, o líder tem um papel importante em observar e perceber sinais que, quando são constantes, podem ser indícios de sofrimento psicológico.
Alguns deles são:
- Aparência excessiva de cansaço;
- Dores frequentes;
- Queda no foco;
- Volume reduzido de entregas;
- Ansiedade;
- Isolamento;
- Irritabilidade;
- Sentimento de incapacidade.
Não trate o Setembro Amarelo e a saúde mental com estigmas
Quando um assunto é visto com preconceito, é normal que seja silenciado e evitado ao máximo. É isso o que acontece com o suicício e com os transtornos mentais.
O estigma sobre a saúde mental, além de dificultar o acesso à informação e impossibilitar o diagnóstico correto, repercute também no tratamento que deve ser realizado com pessoas já diagnosticadas.
Ansiedade, depressão, transtorno bipolar, transtorno obsessivo compulsivo etc. exigem acompanhamento profissional frequente.
É nesse espaço que as empresas desempenham um papel importante.
Quando as empresas ampliam o acesso à informação e ao conhecimento do tema para os colaboradores e as lideranças, influenciam positivamente na decisão de procurar ajuda ou dar continuidade a tratamentos adequados.
Ações como essa podem fazer toda a diferença.
Faça da sua empresa um ambiente acolhedor para a saúde mental dos trabalhadores
Com a elaboração de estratégias para a qualidade de vida, o trabalho pode – e deve – contribuir para a promoção de atividades que trazem benefícios à vida dos trabalhadores. Ao fazer isso, as empresas dão um passo importante na manutenção da saúde mental, na prevenção de mortes autoprovocadas e na valorização da vida.
Assim como a campanha Setembro Amarelo deve ser revisitada ao longo de todo o ano, os cuidados com a saúde mental dos trabalhadores devem ir além, com uma mudança na cultura empresarial.
Ações como “dia da fruta” e “day off”, se isoladas, não exercem grande influência para a manutenção da saúde mental. Contudo, se combinados a espaço de relaxamento, cuidado com a pressão nas entregas, abertura de canais de diálogo sobre saúde mental e outras ações, podem ser um passo importante.
Além disso, o estímulo à execução de práticas saudáveis dentro e fora da empresa, bem como a alimentação saudável e atividades físicas, também trazem efeitos positivos para a saúde dos trabalhadores.
>>> Leia também: Transtornos mentais e trabalho: 7 práticas para um ambiente seguro e acolhedor
Incentive a busca por atendimento especializado em saúde mental
Historicamente, os problemas de saúde mental foram associados a fraqueza, loucura, drama ou exagero. Apesar de toda a evolução da medicina e do conhecimento produzido acerca do assunto, muitas pessoas ainda fazem essa relação.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Ibope, 30% dos entrevistados responderam que buscar ajuda profissional para resolver problemas emocionais é um sinal de fraqueza.
Para quebrar o estigma, é preciso fazer uma abordagem natural sobre o assunto. O incentivo para a procura por tratamento pode ser decisivo em momentos de crise.
Não se pode afirmar com precisão, mas é provável que, se as pessoas não tivessem medo, vergonha ou receio de procurar ajuda profissional em momentos de dificuldade, os números de mortes provocadas por suicídio no Brasil não seriam tão assustadores.
Quando amigos, familiares, colegas de trabalho e líderes falam abertamente sobre o assunto e estimulam a busca por auxílio psicológico e/ou psiquiátrico, abrem espaço para que outras pessoas se sintam mais à vontade para procurar ajuda.
Tal incentivo deve partir de todos os lados, inclusive do ambiente de trabalho. Esse é um dos principais desafios quando o assunto é saúde mental.
>>> Leia também: Atendimento em saúde mental para empresas: conheça as soluções do sesi + saúde
Vamos falar sobre suicídio e buscar juntos soluções para preveni-lo?
Serviços importantes para a prevenção de suicídio:
Centro de Valorização à Vida – 188
SAMU – 192
Procure o Centro de Atenção Psicossocial mais próximo.
Fontes: ONU, OMS, Unicef, CVV, jornal Folha de S.Paulo, Portal Câmara dos Deputados, pesquisa Oracle Retail, Associação Brasileira de Psiquiatria, pesquisas acadêmicas das universidades ULBRA e UFPel, Ibope.